sábado, 29 de setembro de 2012

Carta não entregue.

Sabe, amor, eu tava pensando hoje... Estava pensando que ando dando com o pé na porta demais pra uma pessoa como eu, que não é lá a mais segura do planeta, embora tente ser, e tente fingir que sim, que sou. Ando tão foda-se para o que pensam de mim, tão foda-se para quem me disse um dia que eu devia agradar, tão foda-se para o ser querida e ser legal.. Tão fodam-se todos.. Mas às vezes tenho, amor, medo disso ser uma auto-destruição maquiada de independência, sabe. Essa [falsa?] segurança tem me feito bem .. mas isso tem me dado um leve medo, e o medo me faz mais fraca e insegura..
Você me entende?!
Você se importa com isso, com quem eu sou, quem me torno, quem me/o que sinto?

Sinto vontade, senão necessidade, de te falar de mim. Me espanta essa minha transparência diante de ti, essa transparência tão rara e cara. É como se eu não tivesse mais nada a te esconder, não tivesse porque: nem uma imagem a preservar ou construir, nenhum bom olhar a cultivar. Você já me viu fraca demais e forte demais, você já me viu por todos os meus ângulos para não saber de algo ou para poder ainda se surpreender, então já não sinto medo de ser contigo. Talvez eu devesse.
E eu sei, só agora, há pouco, que tu me conhece. Isso importa pra mim. Importa par que isso me faz mais fraca, me faz dependente.

Não sei bem dependente de que e, amor, sinceramente, não quero falar disso. Não agora. Não me  interessa agora me sentir mais fraca, e ser dependente é ser um lixo, é ser fraca demais para o que eu me aceito ser.

Sabe, eu tenho descoberto com essa nossa distância que a não-monogâmica, não heteronormatividade, não amor-romântico valem uma merda agora. De nada me importam e me valem. Não me faz independente como eu me iludi acreditando que fazia, e isso me deixa triste, um lixo.

É uma tristeza, amor, uma dor bem forte que não sei se dói pela distância ou pela frustração do esforço inútil pelas tantas desconstruções agora inúteis. Todas essas negações que não me negam essa dor de agora, da distância, do medo da distância. Elas só me fornecem máscaras para a dor, amor.

 Por que imagine, amor, que bom seria, uma briga fatal por ciúmes. Tivemos tantas oportunidades.. Ou, imagine, que bom, se por uma traição, se nos tivéssemos dado a chance de um amor de cadeado. Imagina, amor, faça um esforço e imagina que bom seria, se por insatisfação sexual, ou pelo tédio da exclusividade, pela monotonia da rotina, pelo cansaço de um amor comum, de um amor enlatado, casto, chato.. Imagina que bom seria, um fim por qualquer coisa assim ruim.. um esgotamento, e não um algo tão gostoso cortado ao meio. Não seria tão melhor, amor? mas não... uma relação sem ciúmes, sem posse, sem tédio, sem rotina, incompleta, completa de vais-e-vens, de tantos outros corpos intercruzando o meu, o teu, os nossos, por tanta instabilidade, novidade, liberdade. Livre, amor, livre fomos e desejo que estaremos sempre.. te quero e sempre te quis livre, e só por ser livre te fui e quis amor. Livre, mas nunca de dor.
Acho que a dependência está em todas as relações, está na flor que eu quero e preciso ver na minha janela para me sentir satisfeita olhando o sol da manhã por trás dela. E a vida é assim, e o amor é assim. E é tudo realmente um lixo.



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

"Eu sou eu, você é você. Eu faço as minhas coisas e você faz as suas coisas. Eu sou eu, você é você. Não estou neste mundo para viver de acordo com as suas expectativas. E nem você o está para viver de acordo com s minhas. Eu sou eu, você é você. Se por acaso nos encontrarmos, é lindo. Se não, não há o que fazer." Fritz Perls, 1969

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

http://www.youtube.com/watch?v=Fq2QPKW_vuc
cheia de areia, cheios de olhares, nossos pra nós. Cheio de lua cheia, uma lua cheia imensa que refletia na água, e refletia na gente, refletia no nossos corpos cobertos de corpo, um do outro. Éramos mocinhos de qualquer filme tipo drama-romântico-brega-besta, desses romances que nem existem, mas que fazíamos existir. Ele sempre me constrangeu com aquela de mania de me amar, ainda que de mentira. Mania de fazer eu me sentir amor, de fazer eu me sentir alegria quando sussurrava ao meu ouvido qualquer coisa tola

domingo, 5 de agosto de 2012



"Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim."

sábado, 4 de agosto de 2012

As pessoas são como portas.

Ali, paradas, nos imploram silenciosa e instigantemente para que a gente abra. Se abrem para nós, abrem uma infinitude de novos sabores e cores, convidam-nos à um mundo novo, sem que possamos recusar. Entramos nelas, mas ao entrar passamos, apenas, e o instante, que é o agora, já foi. Elas são uma passagem e não um convite para ficar. Elas nos levam sem vir conosco.
Uma transição.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Das melancolias e mercadorias do meu amor

Vivo sendo continuamente questionada sobre a intensidade dos meus sentimentos e sobre o valor que dou para meus relacionamentos, desde que me coloquei como defensora do "Amor Livre".
As pessoas definitivamente não entendem o que isso significa. Elas pensam: -Que? Promiscuidade? Não ter compromisso nenhum? Ah, mas é por que você não gosta tanto delx então. Quando tu amar alguém vai querer ficar só com a pessoa. Você não sente ciúmes? Ah, então não ama.-

1.Não, amor livre não é, definitivamente, sinônimo de promiscuidade. Ainda que eu não tenha nada contra (rs). Eu defender o amor livre não significa que eu sou promiscua.

 2.Sim, eu sinto ciúmes. Eu me corroo de ciúmes as vezes. Antes mais do que hoje em dia, é verdade. Mas eu sinto, não vou dizer que não. E sinto muito. Mas já senti mais.

 3.Não, amor livre não é sinônimo de "não compromisso". Na teoria talvez o seja, mas na prática -para mim, ao menos- não é.
Em nossas relações cotidianas, com familiares, amigos, colegas, estabelecemos alguns tipos de compromissos, ainda que eles não sejam colocados por um acordo explícito, pré-determinados, ou subentendidos (como quando se estabelece uma relação monogâmica). As pessoas estabelecem compromissos emocionais, algo perto de ser recíproco, talvez (não necessariamente), que mantém a relação. E o mesmo acontece quando amo (o que me parece óbvio!), ainda que livremente.
 As pessoas geralmente acham que por defender o amor livre eu não vou ligar no dia seguinte, não vou fazer declarações de amor, não vou apresentar pra família, não vou passar meses ou anos me relacionando com a mesma pessoa, que não vou chorar de saudades, que não vou deixar de ir pra festas para ficar vendo filme com a pessoa, que não vou querer saber com quem a pessoa sai, com quem se relaciona (lembremos que querer saber é diferente de exigir!), que não vou me importar com o que a(s) pessoa(s) com quem me relaciono sente(m). Como se amar com liberdade fosse amar uma pessoa por dia, pura e simplesmente – instintivamente, irracionalmente, inconsequentemente. Só sexo e carinho por carência. Isso é o que as pessoas demonstram-me entender por amor livre.

 4. Querer amar com liberdade não diz respeito à intensidade do meu sentimento – não a coloca, portanto, em questão (!!!). É uma posição política, é como me dou com a minha ideologia na prática, incorporando-a na minha vida afetiva. Estabelecer uma relação tradicional, heteronormativa, que reproduza estereótipos e valores aos quais me oponho - de posse, submissão, dependência - me parece incoerente.
 Já me dissera um grande pensador um dia: O querer um indivíduo possuir o outro é a expressão máxima do capitalismo. Outro escreveu um dia também que “se a ‘moral’ do sacrifício [que nos leva a crer que o amar também é sofrer] aproxima amor e dor, o prazer anarquista grita, canta e rima amar com criar e libertar. Defende a necessidade de amar lúdica, criativamente”.
E são esses valores que eu busco reproduzir ao querer amar em liberdade.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

de tanta desconstrução e crítica não sabe mais o que é seu, o que é, o que seria.
Não sabe o que é (e se quer se um dia houve) essência espontânea e sincera - em tudo que sentiu, viu e viveu. De tanta desconstrução em busca de liberdade, se prendeu e se perdeu.
Tudo parece manipulável e falso.
e triste
Dizem (meus outros eus dizem), que minha não persistência é o meu maior defeito. Por que eu quero tê-lo livre e que essa liberdade lhe faça voltar e ficar, mas as vezes essa liberdade parece um erro, aparenta ser desprezo e minimização do desejo. Lhe deixo ir, lhe deixo amar e voar e me deixo sofrer. E me forço calar. Finjo. Engulo meus anseios e tristezas. Não há, por que não deve haver dor. Preciso mais de mim e menos de um só amor.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Olho como querer olhares,
como desejar desejos e quereres
Não desejo necessidade de auto-afirmar-se
Olhares
 meu ego é rejeito
Futilidade
usar do estereótipo repulsante
do privilégio casual
pelo medo que pulsa
insegurança
olhares desconcertantes, invasivos
invadem e concertam meu ego
meu espaço, contraste
do querer negado com o olhar implorado
meu ego
do sim e do não
jogo de conquista na esquina
brinco de flertar, brinco de desejo
sozinha
repulso, volto
só pra te perder
só pra te perder em mim mesma
só pra me perder de mim e me esquecer de ti
só pra ser eu e ser desejo
ser sabor e ser ego
e voltar a ser minha

domingo, 1 de julho de 2012

Sonhos me fazem querer fugir soltar os cães e pegar a bike rumo ao nada e ao tudo só em busca de um mundo todo imenso desconhecido não ter que arrumar o quarto ser o tudo e o nada não ter que levar o lixo pra fora ser o lixo, o sujo, o fora ser não dar um 'bom dia' de novo ao mesmo alguém rostos novos não querer ninguém ser só e incompleto ser

quinta-feira, 28 de junho de 2012

(...)
Quero dizer que te amo só de amor. Sem ideias, palavras, pensamentos. Quero fazer que te amo só de amor. Com sentimentos, sentidos, emoções. Quero curtir que te amo só de amor. Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo. Quero querer que te amo só de amor. 

(...)

Não há limites para o prazer, meu grande amor, mas virá sempre antes, não depois da excitação. Meu grande amor, o infinito é um recomeço. Não há limites para se viver um grande amor. Mas só te amo porque me dás o gozo e não gozo mais porque eu te amo. Não há limites para o fim de um grande amor. 
Nossa nudez, juntos, não se completa nunca, mesmo quando se tornam quentes e congestionadas, úmidas e latejantes todas as nossas mucosas. A nudez a dois não acontece nunca, porque nos vestimos um com o corpo do outro, para inventar deuses na solidão do nós. Por isso, a nudez, no amor, não satisfaz nunca. 
Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desncessários. 
O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto.

(...)
 

Roberto Freire

quarta-feira, 6 de junho de 2012

FARTURA E CARÊNCIA (Clarice Lispector)



Mas o pior é o súbito cansaço de tudo. Parece uma fartura, parece que já se teve tudo e não
 se quer mais nada. Cansaço dos Beatles. E cansaço também daqueles que não são. 
Cansaço inclusive de minha liberdade íntima que foi tão duramente conquistada. Cansaço de 
um amar o outro. Melhor seria o ódio. O que me salvaria dessa impressão de fartura - é 
fartura ou uma liberdade de que está sendo inútil? - seria a raiva. Não um tipo de raiva 
amorosa que existe. Mas a raiva simples e violenta. Quanto mais violenta, melhor. Raiva dos 
que não sabem de nada. Raiva também dos inteligentes do tipo que dizem coisas. Raiva do 
cinema novo, por que não? E o outro cinema também. Raiva da afinidade que sinto com 
algumas pessoas, como se já não houvesse fartura de mim em mim. E raiva do sucesso? O 
sucesso é uma gafe, é uma falsa realidade. A raiva me tem salvo a vida. Sem ela o que seria 
de mim? Como suportaria eu a manchete que um dia saiu no jornal dizendo que cem crianças 
morrem no Brasil diariamente de fome? A raiva é a minha revolta mais profunda de ser 
gente? Ser gente me cansa. E tenho raiva de sentir tanto amor. Há dias que vivo de raiva de 
viver. Porque a raiva me envivece toda: nunca me senti tão alerta. Bem sei que isso vai 
passar, e que a carência necessária volta. Então vou querer tudo, tudo! Ah como é bom 
precisar e ir tendo. Como é bom o instante de precisar que antecede o instante de se ter. Mas 
ter facilmente, não. Porque essa aparente facilidade cansa. Até escrever está sendo fácil? 
Por que é que eu escrevia com as entranhas e neste momento estou escrevendo com a ponta 
dos dedos? É um pecado, bem sei, querer a carência. Mas a carência de que falo é mais 
plenitude do que essa espécie de fartura. Simplesmente não a quero. Vou dormir porque não
 estou suportando este meu mundo hoje, cheio de coisas inúteis. Boa-noite para sempre, para 
sempre. Até sábado que vem. E não me respondam: não quero ouvir a voz humana. E se 
suporto a minha voz se despedindo é porque ela piora de muito a minha raiva.
Só uma raiva, no entanto, é bendita: a dos que precisam.

sábado, 2 de junho de 2012

Ela era muita poesia pra mim, sempre foi
Era pura arte, era abstrata, subjetiva
Gostava de sentir e se guiar pela lua. Já eu gostava de olhar o sol
Eram ritmos diferentes,
Era uma dança descompassada, desconexa
Mas freneticamente amável

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Há cerca de três anos que não o conheço. Há uns 19 que temos nos visto, temos ouvido falar de nós, temos interferido um na vida do outro como só fazem os irmãos.. mas há inexatos três anos que não nos conhecemos. Talvez quiséssemos as vezes, talvez tenhamos quisto. Mas não mais. Agora se quer o afastar a memória e conservá-la, se convencendo de que aquelas pessoas morreram, morreram todas juntas, um holocausto mental. E agora eu convivo com pessoas que eu desconheço. E cada olhar é uma surpresa, e cada palavra uma novidade, e cada sorriso falsidade, cada abraço uma ilusão. E cada sonho uma angústia. E

quarta-feira, 23 de maio de 2012

As vezes eu quero que tu diga que não, que não quer, que já deu
as vezes essa duvida é a pior coisa que exite em mim de nós
toda essa ansiedade que me cansa, que me faz querer fugir
eu sou falsa, eu sei
que eu sou forte, fria, insensível, durona
mas não sou
sou covarde e prefiro o estático à me aventurar


terça-feira, 24 de abril de 2012

cinema.


 Esse foi o segundo dia que o vi
                   [ou o segundo que o reparei]
Talvez o primeiro que ele tenha me referido a palavra,
talvez o primeiro que me tenha olhado nos olhos
[e se é que ele olhou]
Eu reparei seu olhar rápido,
e eu desenharia seus 
olhos
e sua boca
é o segundo dia, o primeiro momento
é a primeira vez que senti seu perfume
Será que ele passou para que eu sentisse?
Será que ele sentiu meu cheiro de fêmea no cio?
Acho que não     
Será que ele sentiu minha perna encostando na sua
Quase sem querer..
..quase de propósito?
Será que ele se apoiou de lado
                              [para o outro lado]
                        pra se afastar?
ou nem percebeu? talvez nem tenha notado
minhas mãos inquietas e meu canto do olhar vigiando-o
é o segundo dia, e eu estou apaixonada..
..dessas paixões frias, silenciosas e inquietas. [ponto!]

quinta-feira, 22 de março de 2012

foi assim que eu destruí meus medos,
 deixando o silêncio abafá-los
essa coragem nasceu na fraqueza da voz. A coragem muda

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Flor e a náusea - Mal invisivel


Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cizenta.

Melancolias, mercadorias, espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobrefundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.
(...) Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotadailude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.Suas pétalas não se abrem.Seu nome não está nos livros.É feia.

Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.É feia. Mas é uma flor.

Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"A vida é bela e cruel, despida.. tão desprevenida e exata.."



"Izzi: Ele disse que se eles cavaram o corpo do pai para cima, ele teria ido. Eles plantaram uma semente sobre seu túmulo. A semente se tornou uma árvore, e seu pai tornou-se uma parte dessa árvore. Ele cresceu na madeira, na flor. E quando um pardal comeu fruta da árvore, seu pai voou com as aves


a morte era estrada de seu pai para espanto. É o que ele chamou. O caminho para a admiração"